Zahabi, Giles, Jones, Ryan, Biernacki

E aí, bem-vindos de volta ao Pensamentos e Reflexões de um Lutador Veterano BlogCast!

Eu sou o Crish. Veterano do exército, policial aposentado, praticante de artes marciais a vida toda e um “solopreneur” nos meus 50 anos, tentando entender os esportes de combate sem enrolação.

Hoje vamos mergulhar no Episódio 15: Sistemas Conceituais Parte 2 — Zahabi, Giles, Jones, Ryan e Biernacki.

Até o final, você vai ver como cinco professores muito diferentes construíram mapas totalmente diferentes para o jiu-jitsu. Alguns são limpos e eficientes. Outros modernos e agressivos. E tem uma menção honrosa que é tão radical que merece um capítulo só pra ele.

Vamos falar de eficiência, pressão, conceito acima do caos, como construir um sistema do zero, e do estoniano que decidiu que simplesmente “sobreviver” já é uma arte marcial completa.

Fica comigo até o final e deixa um comentário: qual desses sistemas combina com o lutador que você é hoje, e não com quem você era dez anos atrás?

The Map Gets More Interesting

Capítulo 1!
O Mapa Fica Mais Interessante

Bem-vindos de volta.

Se você assistiu ao Episódio 14, sabe que focamos nos pesos-pesados do jiu-jitsu conceitual. Danaher, Roger Gracie, Thornton, Hall, Lovato. Cinco pensadores que tentaram transformar o caos do grappling em algo que pode ser ensinado e que sobrevive à realidade.

Mas existe uma segunda onda. E essa, de muitas maneiras, é mais acessível. Mais moderna. E mais preocupada com a pergunta que realmente importa para grapplers como eu: isso funciona para quem não é atleta profissional?

Firas Zahabi é um técnico em Montreal que treinou com John Danaher e fez da Tristar Gym uma das academias mais respeitadas do MMA.
Lachlan Giles é um faixa-preta australiano que competiu no mais alto nível, mas se tornou um dos professores mais didáticos do mundo.
Craig Jones é outro australiano, um estrategista puro, com uma abordagem super direta para caçar finalizações.
Gordon Ryan é a máquina de construir sistemas no jiu-jitsu sem kimono moderno.
E Rob Biernacki é o canadense discreto que vem fazendo as perguntas mais difíceis sobre como as pessoas realmente aprendem essas coisas.

Cada um tem algo muito real a oferecer. Mas cada um também tem coisas que não funcionam para todo tipo de corpo, idade ou academia. E é exatamente nessa lacuna que vamos focar hoje.

Why These Five

Capítulo 2!
Por Que Esses Cinco? E Por Que Agora?

Aqui vai a verdade nua e crua do porquê esse grupo chama a minha atenção.

Eles não são lendas distantes ou fundadores da arte. São treinadores que estão na ativa agora, criando material e pedindo pro mundo testar. E isso importa porque gera feedback. Tem vídeos, tem entrevistas, tem alunos, e tem falhas documentadas.

Para alguém como eu, 53 anos, faixa azul treinando na Absolute MMA em Melbourne, depois de uma carreira que envolveu violência real e estresse, a questão não é quem tem o sistema mais bonito no papel. A questão é: quem construiu algo que sobrevive quando o aluno tá cansado, ansioso e sem tempo sobrando?

Eu não tô treinando pro ADCC. Eu treino para me manter afiado, útil e no tatame por mais uma década. Isso significa que eu preciso de sistemas eficientes. Sistemas que não dependam de joelhos de 20 anos ou de um sistema nervoso zerado. Sistemas que façam sentido mesmo quando o cara te explica e o seu cérebro já tá pedindo cama.

Então, o meu filtro é: isso funciona para um faixa azul normal? Para o cara que treina duas vezes por semana? Esse é o critério de hoje. O corpo que eu trago pro tatame é a minha régua.

Firas Zahabi

Capítulo 3!
Firas Zahabi — O Engenheiro da Eficiência

Firas Zahabi pegou a faixa preta com John Danaher em 2011 e passou a maior parte da carreira treinando lutadores de MMA na Tristar Gym. Ele foi a mente por trás do Georges St-Pierre, um dos lutadores mais completos da história do UFC.

A filosofia principal dele é surpreendentemente simples: não desperdice nada. Cada movimento tem que ter um propósito. Cada posição serve a próxima. E a abordagem dele pro treino em si também é diferente, ele não quer seus atletas indo a 100% todo santo dia, porque a recuperação faz parte do plano, não é um acidente.

Para alguém que viu colegas da polícia sofrerem burnout e quebrarem o corpo, essa ideia bate forte. Zahabi trata o corpo como um investimento a longo prazo. Você não deveria esvaziar o tanque na academia e depois se arrastar pro trabalho. Você tem que sair do treino com uma reserva.

O trabalho conceitual dele foca em controle antes da finalização. Não vá pro braço se a base não tá sólida. O lado ruim? Essa eficiência pode parecer conservadora demais pra galera mais nova que quer explodir e girar. Mas para um faixa azul de 53 anos que precisa trabalhar amanhã? O filtro do Zahabi é um dos melhores que existe.

Lachlan Giles

Capítulo 4!
Lachlan Giles — O Professor do Povo

Lachlan Giles é australiano. E isso já o torna interessante pra mim, porque significa que ele construiu o jogo dele sem estar cercado pela infraestrutura que os brasileiros ou americanos tomam como garantida.

Ele competiu no mais alto nível, aquela sequência de chaves de calcanhar no ADCC 2019 ainda é absurda, mas o que o separa como professor é a habilidade de pegar uma ideia complexa e deixá-la digerível. O material dele sobre retenção de guarda ou leg locks não é apenas tecnicamente bom; é estruturado. Ele te dá o molde mental, não só a forma física.

Para alguém que passou anos ensinando em ambientes de alto estresse, isso salta aos olhos. Os melhores professores não sabem só a matéria, eles entendem como as pessoas absorvem, onde elas se confundem e qual a ordem certa de mostrar as peças pra mente “clicar”.

A limitação honesta dele é que o material é bem focado em esporte moderno. O sistema de leg locks é genial, mas exige uma mobilidade de quadril que nem todo mundo tem no primeiro dia. Dito isso, se eu tiver que indicar um professor australiano pra quem tá começando, é o Giles. Porque ele respeita o seu tempo.

Craig Jones

Capítulo 5!
Craig Jones — O Pragmatista Estratégico

Craig Jones é um cara interessante porque ele não fala como um filósofo. Ele soa como um cara que descobriu algumas coisas no tatame e tá feliz em te contar, sem enfeitar demais.

Isso faz parte do apelo. A instrução dele é super direta. Ele não esconde a ideia atrás de palavras difíceis; ele te mostra a posição, explica a lógica, e confia que você vai se virar. O trabalho dele é construído em cima de pensamento estratégico: quais posições te dão mais opções, quais finalizações são mais confiáveis na pressão, e onde gastar seu tempo de treino pra ter o maior retorno.

Esse tipo de pensamento é muito prático. É o tipo de mapa que um profissional precisa: nem tudo tem a mesma importância, então descubra o que importa e gaste seu tempo lá.

O histórico de competição do Craig também valida o sistema. Ele foi testado sob pressão máxima sem kimono e o estilo dele se sustentou.

O limite aqui é que o jogo dele é muito voltado pro No-Gi e focado na finalização. Ele não tá tentando te ensinar tudo; ele ensina o que funciona melhor pra ele, o que significa que você vai ter que preencher algumas lacunas por conta própria.

Gordon Ryan

Capítulo 6!
Gordon Ryan — O Arquiteto de Sistemas

Gordon Ryan é a versão mais extrema da ideia que corre por todo esse episódio: a ideia de que o jiu-jitsu pode ser construído do zero, posição por posição, até virar uma máquina que quase nunca quebra.

A abordagem dele é tão metódica que chega a ser inspiradora pra uns e exaustiva pra outros. Ele mapeia a posição, identifica onde ela pode falhar, cria o contra-ataque do contra-ataque e testa tudo em treinos ao vivo até o sistema ficar blindado. Ele até treina perdendo de propósito por semanas só pra testar essas respostas.

Esse tipo de comprometimento é fora de série, mas é difícil de replicar pra quem tem emprego e família. Ryan é um profissional integral. A gente pode admirar a arquitetura dele, sem necessariamente conseguir copiar o método de construção.

O que a gente pode roubar do Gordon, no entanto, é a filosofia: não colecione posições, construa um jogo. Onde você quer chegar? Faça o caminho e veja os obstáculos. A preocupação é que o material dele pode passar a ilusão de que você precisa de um sistema perfeito antes de poder simplesmente “treinar”. Não precisa. Comece de onde está.

Rob Biernacki

Capítulo 7!
Rob Biernacki — O Conceito Acima do Caos

Rob Biernacki é provavelmente o nome menos famoso do episódio de hoje, mas talvez o mais importante para quem ensina jiu-jitsu.

Ele é o fundador do BJJ Concepts no Canadá, e o trabalho dele é focado em uma ideia claríssima: antes de ensinar a técnica, garanta que o aluno entenda o conceito. Alinhamento, estrutura, postura. Por que uma pegada funciona ou por que uma passagem é travada.

A gamificação que ele faz no aprendizado — o que ele chama de “micro batalhas”, joguinhos posicionais pra resolver problemas específicos — é a ferramenta de ensino mais prática que eu já vi. Em vez de furar a mesma posição 50 vezes, você coloca o aluno no problema, dá um objetivo claro e deixa ele resolver.

Pra quem já deu aula em ambientes onde as pessoas precisam aprender rápido e lembrar das coisas sob estresse, esse modelo faz sentido. As pessoas não melhoram só olhando a técnica. Elas melhoram resolvendo o problema, falhando e ajustando. A limitação é que esse sistema exige professores que tenham confiança de largar o script tradicional.

Priit Mihkelson

Capítulo 8!
Menção Honrosa — Priit Mihkelson: O Revolucionário da Defesa

Priit Mihkelson é estoniano, o que já é um começo inusitado para uma história de jiu-jitsu. Ele construiu algo genuinamente diferente: um sistema onde a sobrevivência e a defesa são a estratégia principal, e não a última opção.

O formato dele é baseado em posturas defensivas específicas — como o “Frango Assado”, o “Hawking”, a Guarda Turbo — desenhadas pra te deixar muito difícil de ser finalizado, mesmo em posições ruins. Não é elegante, não é bonito, e parece que você decidiu virar uma pedra no sapato do adversário. Mas funciona. E funciona muito bem pra quem não tem explosão ou a técnica necessária pra escapar pelo jeito tradicional.

Pra galera mais velha, machucada ou que só precisa de uns segundos a mais pro cérebro processar a confusão — esse sistema é de ouro. A habilidade de não ser finalizado é uma técnica em si, e o Mihkelson transformou isso em arte.

Ele ganha a menção honrosa porque o sistema dele é uma camada defensiva, não um jogo completo. Você ainda precisa atacar. Mas como um kit de sobrevivência? Não tem nada parecido hoje em dia.

Pros & Cons

Capítulo 9!
Os Prós e Contras — O Que Esses Sistemas Acertam e Erram

Olhando pra esses cinco caras, as vantagens dos sistemas conceituais ficam óbvias.

Eles te dão um filtro. Em vez de tentar aprender tudo, você aprende uma estrutura que te diz o que importa. Isso é ouro pra quem treina e já passou dos 30, sem tempo e sem corpo sobrando. Além disso, te dá a chance de ensaiar mentalmente e resolver os problemas fora do tatame. Para grapplers mais velhos, essa camada mental é a única vantagem real que a gente tem contra os mais novos e atléticos.

Mas os riscos também são reais. Sistemas conceituais criam pessoas que pensam demais. O cara tem a mente mapeada, mas congela quando o rola começa porque nada parece com o desenho do livro. Você também corre o risco de virar torcedor de professor, defendendo a “marca” do fulano em vez de só treinar.

E o maior perigo: achar que conhecimento conceitual substitui tatame. Você assiste vídeos e debate no YouTube e acha que tá melhorando, mas o tatame não liga pra sua teoria. Só o “rola” diz a verdade.

My Personal View

Capítulo 10!
Minha Visão Pessoal — O Sistema Que Eu Realmente Uso

Depois de estudar esses cinco professores — e os cinco do Episódio 14 —, a imagem que sempre volta na minha cabeça é essa: o melhor sistema é aquele que você realmente consegue usar quando tá sob pressão, cansado e tudo dá errado.

Do Zahabi, eu levo a eficiência e a recuperação.
Do Giles, eu levo a paciência e a estrutura do ensino.
Do Jones, a honestidade estratégica: nem tudo vale a pena ser aprendido.
Do Ryan, a mente de arquiteto pra construir um jogo conectado.
Do Biernacki, a regra número um: conceito primeiro, caos depois.
E do Mihkelson, o lembrete de que sobreviver já é vencer metade da batalha.

A minha versão fica no meio de tudo isso. Eu quero sistemas que funcionem pra gente cansada. Que sejam honestos sobre o preço que cobram. E, acima de tudo, eu quero um jiu-jitsu que mantenha as pessoas no tatame e em segurança. Porque o melhor sistema do mundo não serve de nada se o aluno tiver burnout ou se quebrar.

Esse é o meu resumo de Sistemas Conceituais Parte 2. E se você chegou até aqui, deixa um comentário: qual desses cinco bate com a sua realidade no tatame hoje?


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *