
Você pode passar anos treinando Brazilian Jiu-Jitsu. Você pode gastar milhares de reais (ou dólares). Você pode viajar o mundo atrás de academias. E, mesmo assim, acabar no mesmo lugar, sem aprender nada, porque está aprendendo da maneira errada com as pessoas erradas.
Esta é a história de como parei de perseguir técnicas do Youtube (“flashy techniques”) e comecei a aprender a reconhecer O que é melhor para o meu próprio corpo. Esta é a história de como encontrei o que deveria ter sido ensinado desde o primeiro dia: o método de ensino correto para o Jiu-Jitsu.

A Batalha do Faixa Branca
Minha faixa branca não foi uma introdução suave ao Jiu-Jitsu. Foi um castigo.
Eu mudei de academia quase todos os meses. Em parte porque pensava que todas tinham a mesma fórmula: um aquecimento brutal, seguido pela técnica do dia, repetir a tecnica com o parceiro, sem resistencia (“dead drill”) por algumas rodadas e, depois, rolar até a morte. Cada aula tinha uma técnica diferente. Cada técnica que eu aprendia era esquecida. Minha retenção de conhecimento era zero.
Aqui está o que ninguém lhe diz sobre uma má instrução de JJ: ela não apenas desperdiça seu tempo. Ela destrói seu corpo.
Minhas costas e articulações estavam constantemente doloridas, e cada lesão levava mais tempo para se recuperar. Quando você está nos quarenta treinando contra pessoas de vinte e poucos anos, seu corpo não se recupera como antes. E quando a academia trata o rolar como uma guerra; vencer todas as rodadas, finalização ou nada, seu corpo paga o preço.
Eu não estava aprendendo nada porque não havia nada coerente para aprender. Apenas técnicas aleatórias e dispersas de instrutores diferentes, com filosofias e biotipos distintos, ensinando-me movimentos que não se adequavam à minha estrutura, à minha idade ou ao meu atletismo.
Para ser justo, como as técnicas mostradas não eram aplicáveis a mim e, portanto, eram chatas, eu realmente só ia às aulas para participar daquela rolada braba. Mas eu ainda não sabia o suficiente, então fui buscar respostas no YouTube.
Essa também foi a maneira errada de aprender. Mas, pelo menos, encontrei técnicas que eu realmente conseguia usar.

O Ego e a Fome por Reconhecimento
Foi aqui que minha boca grande se tornou um problema.
Eu era faixa preta de Karatê. Eu era um policial ativo. Duas décadas de chute boxe. Uma década de autoridade. E agora eu estava de volta à faixa branca.
Então, naturalmente, eu contava para todos.
“Eu sou faixa preta de Kyokushin e sou policial.” Sabe o que acontece quando você diz isso no tatame? Todo mundo quer vencer um policial faixa preta de Karatê. Todos querem provar que o JJ é superior. Todos querem ver se aquele uniforme e aquela faixa realmente significam algo no mundo do grappling.
Spoiler: eles não significam.
Os parceiros mais fortes me arregaçavam. Os parceiros mais fracos sentiam o cheiro de sangue na água e lutavam comigo como se eu estivesse tentando tirar a liberdade deles. Passei a maior parte dos meus rolas sendo castigado porque eu não conseguia calar minha boca.
Mas aqui está o verdadeiro problema: eu não conseguia aprender. Eu estava muito ocupado tentando vencer. Eu estava muito ocupado protegendo meu ego. Me sentindo superior por ter uma faixa preta no karatê.
Era a mentalidade do lutador de chute boxe aplicada ao Jiu Jitsu. E isso estava me destruindo.

A Base Essencial
Após um período de faixa branca mais longo do que o normal (comecei treinando Jiu Jitsu no início de 2010 e peguei a faixa azul em 2020), algo mudou.
Eu me deparei com o BJJ Mental Models e o BJJ Concepts de Rob Biernacki.
A base essencial.
Não era outro canal de highlights no YouTube. Não era outra série de “Técnica do Dia”. Não era outra academia me prometendo a faixa preta em cinco anos se eu apenas assinasse o plano mensal.
Esta era uma maneira revolucionária de ensinar que era perfeita para o meu estilo de aprendizagem.
Alinhamento corporal. Postura. Base. Alavancas. Pontos de apoio (fulcrum points). Cunhas (wedges). Estas não eram novas técnicas. Não eram finalizações chamativas ou sistemas complexos de leg locks. Estes eram os princípios subjacentes a todas as técnicas. A arquitetura. O andaime que mantém tudo unido.
Quanto mais eu escutava, mais fazia sentido para mim. Não apenas intelectualmente, eu sou um artista marcial pensador, um imigrante, um policial e ex-soldado. Eu preciso que as coisas façam sentido. Eu preciso entender o porquê. Eu preciso da estrutura.
Mas também fazia sentido fisicamente. Estes conceitos de JJ funcionavam para o meu corpo. Funcionavam para a minha idade. Funcionavam para a minha taxa de recuperação. Funcionavam para as minhas articulações.
Pela primeira vez em anos de grappling, eu não estava apenas sobrevivendo. Eu estava entendendo.

Por Que a Maioria das Academias Erra
Permitam-me ser direto: o método de ensino antigo e desatualizado de mostrar uma técnica aleatória diferente em cada aula e depois “repetir até a morte” (dead drill), não funciona. Não funcionou para mim e não funciona para a maioria das pessoas. Especialmente para os jiujiteiros mais velhos.
Você me mostra uma técnica na segunda-feira que não se adequa ao meu biotipo. Eu a repito cinco vezes sem resistência. No dia seguinte, nos é mostrada uma técnica diferente e não relacionada. Tudo isso é seguido por freerolling contra alguém que só quer me estrangular ou me dar um armbar. O fim de semana chega, estou dolorido e não lembro de técnica nenhuma.
O que eu deveria lembrar, afinal? O que eu deveria usar como base para construir?
Os instrutores têm boas intenções. Mas alguns ainda conduzem as aulas como se fosse 1995. Eles ensinam como se todos fossem jovens atléticos com flexibilidade perfeita e tempo ilimitado para se recuperar. Eles ensinam como se todos estivessem ali para competir nas regras da IBJJF. Gerenciando “clubes da luta” (fight clubs).
No entanto, o problema real é mais profundo do que o método. É a filosofia.
A maioria das academias trata o rolar como uma guerra. Precisamos vencer todas as lutas. Conseguir a finalização. Derrotar a outra pessoa. Não há aprendizado nessa mentalidade. Há apenas sobrevivência. Há apenas vencer e perder.
Quando você está preso nesse ciclo, técnicas aleatórias que você não consegue reter, sessões de rolling onde você está apenas tentando não morrer, não há espaço para melhorar. Seu corpo está muito ocupado se protegendo. Sua mente está muito ocupada em pânico. Suas articulações estão muito ocupadas sendo destruídas.
Passei anos nesse ciclo como faixa branca. Lesões. Frustração. Progressão zero. Construindo minha identidade como artista marcial em qualquer coisa, menos no Jiu Jitsu, porque eu não conseguia decifrar o código.
O código nunca foi sobre as técnicas virais do YouTube. O código sempre foi sobre entender meu próprio corpo e ser capaz de treinar técnicas que realmente funcionavam para mim.

O Ponto de Virada
O verdadeiro ponto de virada foi aprender a parar de tentar vencer todas as roladas.
Fácil de dizer, eu sei.
Por décadas, treinei artes marciais de trocação (striking), onde o objetivo era claro: acertar a outra pessoa e não ser acertado. Na aplicação da lei, o objetivo era claro: controlar a situação e voltar para casa em segurança. Vencer era, literalmente, sobrevivência.
Mas no Jiu-Jitsu, especialmente quando você está aprendendo, vencer é o inimigo.
Se você vence todas as rolas como faixa branca, você está fazendo isso de forma errada. Você está usando a força, está usando o seu atletismo. Você está aprendendo maus hábitos que custarão caro na faixa azul, roxa e além.
Eu tive que desaprender a mentalidade de policial. Eu tive que desaprender a mentalidade do striker. Eu tive que aprender que rolar não era sobre dominância. Era sobre investigação, sobre testar conceitos. Era sobre o fracasso ser o caminho mais rápido para o aprendizado.
A abordagem de Rob Biernacki me deu permissão para fazer isso. Ela me deu uma estrutura onde perder uma rola não era uma falha, era dado. Era feedback. Era um convite para entender melhor a mecânica corporal na próxima vez.
Quando você treina com conceitos em vez de técnicas aleatórias, você não precisa vencer para aprender. Na verdade, perder te ensina mais. Ah, quem diria.

O Método Certo para a Mente Certa
Para mim, aprender a mecânica corporal em vez de técnicas individuais foi a melhor abordagem. Como faixa branca, alguém na casa dos quarenta. Como alguém com uma mente pensante que precisa entender a arquitetura do movimento.
Outras pessoas aprendem de forma diferente. Não estou dizendo que todos devem treinar como eu. Mas estou dizendo que, se você está pulando de academia em academia, se está se lesionando constantemente, se não está retendo nada, se ainda está tentando vencer todas as rolas porque é só isso que você conhece, talvez o problema esteja no método de ensino convencional.
Talvez você precise de alguém que te ensine a pensar em vez de o que fazer. Talvez você precise encontrar alguém que ensine mecânica corporal em vez de técnicas chamativas. Talvez você precise parar de tentar vencer cada luta.
Eu encontrei isso na abordagem de Rob Biernacki. Eu encontrei isso no conceito de alinhamento corporal, postura, base, alavancas, fulcros e cunhas. Eu encontrei isso na permissão para falhar, para aprender, para reconstruir minha identidade marcial em algo novo.
O carrossel da faixa branca terminou. As lesões diminuíram. Minha retenção de conhecimento melhorou. Minha rola se tornou menos sobre dominância e mais sobre descoberta.
E, pela primeira vez na minha jornada no grappling, eu não estava apenas treinando. Eu estava aprendendo e me divertindo.
A pergunta nunca foi: a qual academia devo me juntar? A pergunta sempre foi: qual método realmente funcionará para a minha mente, meu corpo e meu momento de vida?
Assim que encontrei a resposta, tudo mudou. Agora, como faixa azul, estou amando minha jornada no Jiu-Jitsu.
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